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sábado, 12 de fevereiro de 2011
Tangebilidade
Bellocq
http://en.wikipedia.org/wiki/E._J._Bellocq
"(...) sou mulher e, à diferença de muitos homens que olham essas mesmas fotos, nada vejo de romântico na prostituição. O aspecto do tema que me dá prazer é a beleza e a presença espontânea de muitas mulheres, fotografadas em circunstâncias caseiras que atestam sensualidade e bem-estar doméstico, e a tangebilidade de seu mundo extinto. Como são benévolas essas fotos". (Sontag, p.292).
Sontag, Susan. Sobre Bellocq. in Questão de Ênfase. São Paulo: Cia das Letras. 2001.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Tipos
August Sander
http://en.wikipedia.org/wiki/August_Sander
Em 1910, August Sander deu início a uma tentativa sistemática de retratar e tipologizar seus conterrâneos. O projeto, realizado inteiramente por sua própria iniciativa e despesa, encontrou apoio apenas entre seus amigos da zona da Renânia, Alemanha. Seu livro “Zeit der Antlitz” foi banido e parcialmente destruído pelos nazistas em 1936.
A foto onde três homens jovens vestem ternos escuros é uma das mais famosas de Sander e já mereceu a análise dos mais importantes críticos e teóricos da fotografia. Para John Berger, em termos de história cultural, a roupa é uma "invenção" da era burguesa. A substituição do vestido da corte por um traje especial, desenvolvido especialmente na Inglaterra, é acima de tudo um reflexo das profundas transformações sociais do início do século XX. Com o "terno", a nova elite burguesa tinha criado um uniforme adequado para si mesmo: simples, prático e igualitário.
"As fotos arquetípicas de Sander supõe uma neutralidade pseudocientífica (...) Não se tratava, tanto, do fato de Sander haver escolhido indivíduos de acordo com o caráter representativo deles, mas de ter suposto, corretamente, que a câmera não pode deixar de revelar os rostos como máscaras sociais.(...)
O Olhar de Sander não é brutal; é permissivo, não julga. As pessoas encaram a câmera de Sander (...) mas seu olhar não é íntimo, revelador. Sander não buscava segredos; observava o típico. (...) Sander tencionava lançar luz sobre a ordem social, atomizando-a em um número indefinido de tipos sociais". (Sontag, p.74).
Sontag, Susan. Sobre fotografia. São Paulo: Companhia das Letras. 2004.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Além da arte
Sebastião Salgado
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sebasti%C3%A3o_Salgado
“Você fotografa com seu subconsciente, com sua ideologia”. Sebastião Salgado.
(...) história da fotografia é uma história de tensões, assim como a aventura do olhar configura-se como um percurso cujos desdobramentos são dificilmente previsíveis. A revolução digital, com seu ritmo veloz e uma vasta expansão de opções de produção imagética, está levando a fotografia a abraçar questões cada vez mais complexas. Neste sentido, podemos argumentar que as análises das fotografias no campo artístico, normalmente, seguem dois caminhos. Um deles é a preocupação com as estruturas internas do trabalho, a natureza dos seus elementos constituintes e suas inter-relações, a procura por padrões de harmonia, tensão, que são interessantes e emocionalmente envolventes. Outro caminho explora questões relacionadas a sua importância filosófica. Muitas vezes, ambos são utilizados. Isto é, a maneira pela qual os elementos formais de um trabalho levam o usuário, leitor, consumidor, a vivenciar importantes verdades filosóficas que são tão intelectuais quanto emocionais.
Paula, Silas de & Marques, Kadma. A imagem fotográfica como objeto da Sociologia da Arte. Consultado em 08/02/2011 em
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Empatia
| Sunset Park |
| Come Sunday |
Numa das exposições da série “Come Sunday”, um colega perguntou a Thomas Roma como um homem branco com uma câmera e um flash pesado poderia fazer fotos tão íntimas de fiéis afro-americanos no Brooklyn."Como você fez isso? Como você se tornou invisível ? "Eu queria o cinto dele", respondeu Roma, ironizando. Depois continuou: "Esse não é exatamente o ponto. O ponto é que eu estava presente. Eu não estive invisível: isso foi o que as pessoas me permitiram ver”.
E a Roma foi permitido ver. Nas últimas três décadas, ele explorou intensamente imagens de instituições do seu Brooklyn natal, o que lhe rendeu o prêmio de poeta visual do bairro.Usando uma câmera de mão, Roma fez fotos em preto-e-branco duras e sensíveis ao mesmo tempo.
Mais conhecido pela série "Come Sunday", suas fotos mereceram do estudioso de questões africanas Henry Louis Gates Jr., a descrição de "um triunfo da empatia metafísica".*
*O cérebro humano é dotado da capacidade automática de empatia: quando é exposto ou imagina o sofrimento de outra pessoa. E se importa como se a dor alheia fosse sua. A empatia, portanto, é essa mimetização da reação do cérebro do outro. Assim, o sorriso do outro nos alegra e o seu sofrimento dói.
Thomas Roma
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
São Paulo da garoa
| Ladeira do Carmo (atual Avenida Rangel Pestana), 1862 |
![]() |
| Rua do Carmo, 1862 |
| Academia de Direito de São Paulo (atual largo de São Francisco), 1862 |
| Rua da Imperatriz (atual 15 de Novembro), 1862 |
| Vista da Ordem Terceira (Largo São Francisco), 1862 |
| Ladeira do Palácio [Rua João Alfredo - atual Ladeira General Carneiro] , 1862 |
| Rua Direita, 1862, São Paulo |
Militão Augusto de Azevedo
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Olhar francês
Marcel Gautherot
http://pt.wikipedia.org/wiki/Marcel_Gautherot
O que genericamente se pode chamar de sociologia visual encontrou alternativas de legitimação em análises como a de Paul Byers quanto ao que a fotografia pode revelar ao olho do pesquisador especificamente treinado para isso, que outros documentos e registros não revelam. Como ele diz: "Há um vasto mundo visível, onde há informação não enxergada que pode ser acessível à fotografia". Cf. Paul Byers, "Still photography in the systematic recording and analysis of behavioral date", in Human Organization , v.23, n.1, Society for Applied Antropology, Ithaca, 1964, p.78. (Martins, José de Souza, Introdução, Nota de rodapé, pg.26).
in Martins, José de Souza. Sociologia da Fotografia e da Imagem. 1 edição. São Paulo: Editora Contexto. 2009.
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